DINHEIRO E FAMÍLIA SE MISTURAM?
- Eduardo Ribeiro
- May 8, 2018
- 4 min read

Por Gustavo Maia
Quando se fala de planejamento financeiro, necessariamente falamos de família, ou unidade familiar. Receitas, despesas e consumo nunca são de uma única pessoa, mas sim de um grupo de pessoas com vida comum, normalmente uma família.
Dificilmente, apesar de existir, a família se resume a uma única pessoa. Sempre existem vários integrantes, e cada um com um peso mais, ou menos, relevante nas despesas e nas receitas. Mas,todos detêm desejos e necessidades de consumo. Em capítulos posteriores abordaremos o tema necessidades e desejos de consumo.
Entendido o conceito de família no planejamento financeiro, fica claro que uma única pessoa não pode carregar o peso de planejar e executar um projeto financeiro familiar. Poderemos, sim, ter alguém responsável pela atualização e controle, ou seja, liderar o planejamento. Isso é saudável, mas atuar isoladamente nunca, principalmente nas tomadas de decisão.
Atuar isolado no planejamento familiar, antes de qualquer coisa, poderá trazer grandes problemas de relacionamento. Tomadas de decisões não compartilhadas podem gerar conflitos familiar, desavenças e rupturas, e a última coisa que desejamos é que isso aconteça. Afinal de conta, buscamos a melhora da qualidade de vida, e não gerar discórdia, que contribui para o cenário inverso.
Crianças devem ser envolvidas, formando assim o caráter financeiro delas. Crianças a partir de sete anos podem ser envolvidas no mundo financeiro, obviamente respeitando seus conhecimentos e responsabilidades. A introdução de mesadas, mesmos que de valores baixos, é uma boa forma de se estimular limites e escolhas. Com a mesada, a criança começa a fazer escolhas e saber que os recursos são finitos, aguçando o senso de ponderação.
Outro caso comum envolvendo criança no planejamento financeiro acontece quando decide-se viajar de férias, e principalmente quando esse destino é de interesse da criança. A troca ou abdicação de algo de valor para elas é importante para a construção do caráter financeiro. Por exemplo, a redução da frequência em lanchonetes de fastfood por um período pré-determinado, com o intuito de se obter o objetivo da viagem, faz com que apareçam espaços no orçamento familiar que permitam a introdução de parcelas destinada à viagem.
Ficará claro para a criança que ela abriu mão de algumas idas à lanchonete, mas ganhou algo de maior valor ou que ela desejava com mais intensidade.
Ressaltamos apenas que a parcela para viagem deve ser prioritariamente destinada a uma poupança, ou seja, acumular recurso para depois gastá-lo. E não viajar, e depois ficar pagando as parcelas recheadas de encargos financeiros.
Sempre existirão sonhos comuns, assim como metas de redução de gastos comuns, portanto necessitamos do envolvimento de todos para que a unidade familiar atinja os objetivos.
Cada participante da família deve ter pleno conhecimento sobre o total das receitas, suas origens e principalmente o conhecimento dos gastos isolados, e o peso desses gastos no total. Tendo esse conhecimento, o indivíduo naturalmente refletirá se vale a pena manter o gasto ou se existe espaço para reduzi-lo.
Um bom exemplo de gasto comum envolvendo todos os integrantes da família é o banho. Cada indivíduo consome a água e energia elétrica ou gás (para os casos de banho aquecido), e isso somado gera um consumo bastante relevante no final do mês. Na grande maioria das vezes a simples redução no tempo de banho de cada integrante da família, trará uma economia bastante significativa, e que pode ser destinada a aquisição de sonhos ou pagamento de dívidas.
Os desejos individuais também devem ser considerados e colocados em pauta. Sonhos individuais devem ser respeitados, e para isso o exercício de escutar o outro, na defesa e argumentação do seu sonho é bastante importante para o conhecimento do grupo. Não se deve menosprezar o sonho do outro, mas sim apoiar e valorizar. O respeito deve ser preservado, sempre, e principalmente no momento de se planejar os sonhos individuais.
A harmonia é o melhor estado de espírito coletivo para semear um bom planejamento financeiro familiar.
Cada um dos sonhos individuais deve ser colocado à mesa, e discutido. O primeiro passo, após ouvir cada um dos integrantes, é priorizar a realização de cada um dos sonhos. Lembrem que existem os sonhos coletivos em paralelo.
O prazo para realização e o custo de cada um dos sonhos são variáveis fundamentais para mensurar o peso mensal e imediatismo. Uma viagem de premiação pela formatura da faculdade, caso seja planejada no início da faculdade, levará alguns anos para se realizar, portanto não é tão imediata e pode ter um pequeno valor no orçamento mensal. Ou decidir esperar mais algum tempo e iniciar mais próximo da viagem, mas nesse caso a parcela futura será mais elevada.
É importante lembrar que quanto mais cedo poupar, teremos o fator correção sobre as parcelas e o saldo acumulado, portanto conseguimos um maior capital com menos valor desembolsado.
Os sonhos devem ser precificados, ou seja, devem ter seu valor pesquisado e identificado. Não adianta sonhar com uma viagem, ou com um apartamento maior sem saber quanto vale esse sonho em termos monetários. Com o valor monetário identificado, devemos determinar em quanto tempo desejamos realizar o sonho, e de imediato saberemos quanto teremos que poupar mensalmente para realizá-lo.
São essas parcelas mensais que deverão entrar no orçamento financeiro. Logo, a família notará que nem todos os sonhos poderão ser realizados ao mesmo tempo. Que as parcelas de cada sonho, seja individual ou coletivo, não caberão na renda total.
Neste momento se inicia as priorizações dos sonhos no orçamento mensal, que andará de mãos dadas com os gastos de manutenção e rotineiros, como alimentação, energia, plano de saúde, aluguel, e outros.
No capítulo destinado a orientações de como fazer um planejamento financeiro, ficará mais claro de como executar a alocação dos sonhos.
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